Confira tudo que rolou na 42ª edição da Casa de Criadores

O maior evento nacional de moda autoral, reconhecido pela apresentação e valorização de jovens talentos da moda brasileira, teve mais uma edição realizada nesta última semana. Entre os dias 6 e 10 de novembro, na Praça das Artes, em São Paulo, a 42ª edição Casa de Criadores trouxe para a passarela nomes conhecidos como Heloisa Faria, Isaac Silva, Karin Feller, Igor Dadona e tanto outros, além de 5 estreantes: Renata Buzzo, a Neriage de Rafaella Caniello, Martins.Tom, Another Place e CZO por Cristian Resende.

A edição deu sequência à celebração de 20 anos de história da grife, com novidades na programação, performances conscientes, criativas e revolucionárias. Nós da Lunelli, claro, conferimos tudo de pertinho para dividir cada detalhe com você.

Um resumo do que foi apresentado na 42ª edição da Casa de Criadores

De cara o que podemos destacar é que as criações apresentadas no evento revelaram não apenas os desejos do público de cada marca, mas imprimiram o discurso como parte fundamental do processo criativo ao produto final. Temas como gênero, raça e corpo foram pautados na maioria dos desfiles do evento.

A drag queen Aretha Saddick encerrando o desfile de Rober Dognani. (Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

A drag queen Aretha Saddick encerrando o desfile de Rober Dognani. (Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

O circuito de debates que rolou durante a programação também abordou temas como “O Mercado e Modelos Plus Size”, “Aceitação e Inclusão” e “Moda Consciente”, contando com a participação de  Igi Ayedun, Renan Serrano e Flavia Durante, além da dupla Issa Paz e Sara Donato.

Entre desfiles e palestras, olha só o balanço cheio de tendências que fizemos dos 5 dias de evento:

Um line-up renovado nos primeiros dias da 42ª edição da Casa de Criadores: dias 06 e 07

O primeiro dia de desfiles contou com o genderless renovado da Ocksa, com a estreia solo de Igor Bastos e sua experiência internacional focando no processo criativo e na importância das fibras naturais, Diego Fávaro respondendo aos haters em macacões, parkas e capas de referências militares e cartela preta e branca com um toque de verde oliva e marrom; a vibe cool e divertida das praias de Felipe Fanaia e o legado 80’s do surfwear reinterpretado por FICO; e Renata Buzzo se reconstruindo através de técnicas artesanais – apostando em retalhos, pedaços de tecidos e até estopa para criar vestidos no estilo couture.

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No segundo dia de desfiles, começamos com o Projeto LAB, representado pelos looks brancos da D-Aura, que apostou no hit do “tecido de papel” em recortes, dobraduras e shapes modernos, seguida pela ACRVO com o seu streetwear sexy e místico – com destaque para as jaquetas oversized, maiôs asa-delta e estamparias e, por fim, Caroline Funke com suas criações lúdicas.

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Após apresentação do projeto LAB, o segundo dia de desfiles teve o guarda-roupa masculino desconstruído por Lui Iarocheski; o esportivo e minimal chic de Ben e o exagero divertido, otimista e bem-humorado de Rober Dognani, com uma coleção oitentista – repleta de volumes, paetês, babados e formas assimétricas – total Christian Lacroix.

42ª Casa de Criadores  dias 08 e 09: Moda afro-brasileira e pocket show roubam a cena!

No terceiro dia de desfiles, o Projeto LAB teve seu segundo time de jovens talentos nas passarelas com as interações humanas de Diego Gama em sua coleção SOBNÓS; Rocio Canvas e sua inspiração na arquitetura de interior, com destaque para o estilo vintage; e a Senplo com sua clássica aposta em produções monocromáticas em preto.

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A sequência do terceiro dia contou com a homenagem de Weider Silveiro ao centro de São Paulo, levando a passarela grandes nomes da noite paulista, com toda a energia e estilos metropolitanos. Entre os convidados estavam Marcelona, Johnnyluxo e Walério Araújo; já Rafael Caetano colocou seu time de futebol gay Unicorns “em campo” para apresentar uma coleção repleta de paetês e brilhos, franjas e muitos tons de rosa; por fim, tivemos a estreia da Another Place com criações esportivas multicoloridas e carregadas de sentido – luta de gênero, censura nas artes e repressões diversas.

A Casa de Criadores 42 acendeu seu quarto dia de desfiles com a moda afro-brasileira de Isaac Silva, de olhares voltados ao empoderamento feminino e negro; e o pocket show de Ney Matogrosso para Cartel 011 – que apresentou um streetwear rico em sobreposíções e detalhamento.

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O quarto dia contou ainda com as criações de Rafael Varandas para Hangar 33; Heloisa Faria que traduziu a temática “deslocamentos” em uniformes de esqui, capas de chuva e tecidos rendados; e Martins.Tom com peças refinadas de inspirações que passeiam da praia para a cidade, para todo mundo usar.

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Engajamento e diversidade marcaram o último dia da 42ª edição da Casa de Criadores: dia 10

No último dia de desfiles contamos com Karin Feller para Di Gaspi em um tom bem particular, trazendo para suas criações experiências pessoais inspiradas nos cenários naturais de Israel – aquarelas viram estampas, modelagens surgem leves e soltinhas e bordados são pontuais e certeiros; Igor Dadona fala sobre a caça as bruxas e traz no misticismo uma forma de abordar perseguições atuais, desta vez pela orientação sexual, religiosa, raça e sexo; e Rafaella Caniello para Neriage traduz sua paixão por literatura e filosofia, com uma coleção inspirada  no livro “A água e os sonhos”, do francês Gaston Bachelard.

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Mas, os grandes destaques do encerramento dessa edição da Casa de Criadores ficam com Fernando Cozendey e seu desfile plural e subversivo, em uma coleção que é a primeira da trilogia – denominada “Ela se chama ‘Perfeita’” e Brechó Replay fechando o evento com um musical manifesto – dividido em 3 atos, o primeiro com referência à peça Cats, o segundo em que se falou de vivências enquanto mulher, negro, LGBT, índio, pessoa com deficiência física e enquanto gordo, e o último sobre a contracultura “aqui e agora!”.

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